Uma garota que vive, e pulsa, e sente.

02/06/2017 – Santa Cruz do Sul

“Fui à floresta porque queria viver deliberadamente, encarar apenas os fatos essenciais da vida, e ver se eu poderia aprender o que ela tinha a ensinar, e não, quando eu vier a morrer, descobrir que nunca vivi. Eu não desejei viver o que não era vida, estar vivendo me é tão caro; nem desejei praticar a resignação, a menos que fosse necessário. Eu queria viver profundamente e sugar toda a essência da vida, viver tão robustamente tal qual um espartano e jogar fora tudo o que não era vida (…)”

                                                                                                                         Henry David Thoreau

A solidão me acalma. Me dá Alma.

Estar sozinha me faz ser plena em mim mesma, acolhida por livros, chás e grossas mantas que me acalentam o corpo no frio.

Ouvir os pássaros, sentir o Sol, e estar no âmago do meu Ser é algo sublime que me traz um sentido mais profundo da minha própria existência neste mundo.

Não acordo porque assim preciso, mas sim porque meu corpo me diz que é hora.

Sou privilegiada, de fato. Não tenho muitas preocupações a não ser o que vou comer no almoço e que roupa quentinha irei vestir. Lavar a louça, estender as roupas, varrer a casa, e sentar na cama para escrever algumas linhas de uma prosa em construção.

Minha vida se define a uma anedota do meu destino, a uma breve participação do meu espírito nos leitos da humanidade. Não serei eu a peça chave da minha própria história?

Já me preocupei suficientemente com o que irei ser, qual a minha profissão nesse mundo, o que devo fazer para servir o planeta da melhor forma. Já me preocupei demais com o que comia, se me exercitava suficientemente, e com contas de água e luz que conseguia com tranquilidade pagar. Já me preocupei com o que não precisava, e hoje eu só aceito minha jornada como uma estrela aceita sua posição no alto do céu.

Sou apenas uma garota de 22 anos. Vivendo uma vida que assim escolhi. Sem mistérios, sem dramas. Já vivi demais, já experimentei muito, já conheci mais lugares do que minha mente consegue recordar. Tudo o que desejei, tive. Tudo o que sonhei, fiz. Até quando percebi que não precisava mais realizar todo sonho que tinha, e que muito menos precisava ter tudo o que desejava.

A vida é muito mais do que se ter tudo o que se quer, seja materialmente falando, ou no formato embelezado o qual chamamos de ‘’sonhos’’. Muitos sonhos não passam de desejos desenfreados do ego para ser ‘’feliz’’. E assim seguimos acreditando que nossos sonhos são susurros vindos do coração, quando na verdade são apenas criações mirabolantes da nossa mente que alimenta a ilusão para não ter que encarar a (dura) realidade.

Alguns podem dizer que sou apenas uma criança brincando de ser adulta, e em parte essa afirmação pode ser real. Mas também sou uma adulta brincando de ser criança. E também essa outra pode ser real. Sou uma antípoda viva, um labirinto de possibilidades e me encontro no meio de um furacão de ideias sobre mim mesma.

No fim, eu não sou nada disso mas também sou tudo isso, e cabe a mim escolher o que devo ser em cada circunstância precisa da minha jornada. Se um dia nos conhecermos, você verá com os próprios olhos que não passo de uma Humana vivendo uma vida na Terra.

Os Pormenores todos tem, e não cabe a nós dizer quem é mais especial que quem, já que cada ser vivente tem seu papel nesse todo, e cada papel sua importância.

Não seremos nós os habitantes conscientes dessa sociedade crescente? E qual o seu papel nesse momento da sua existência?

Eu agora decido não ser. Apenas estar com calma onde meu corpo pede.

Cada movimento certeiro irá me guiar em direção ao que quero ser.

E silencio meu coração para aceitar minha jornada rumo aonde devo ir.

Não passo de uma história flutuante no tempo-espaço,

Uma garota que vive, e pulsa, e sente.

Uma garota que apenas faz o que precisa ser feito.

Alguém que escolhe, todos os dias, acordar.

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