Folha-esqueleto ou esqueleto de folha?

Folha-esqueleto ou esqueleto de folha? É o esqueleto da folha um ser vivo? Ele está morto por ser um esqueleto? Qual o limite que define o que na natureza é vivo e o que não é?

Pensemos:
A folha cresce na árvore, porém chega um momento em que ela precisa se despedir do galho e voar, até pousar na terra molhada ou em um telhado qualquer, ficando ali por tempo suficiente para virar esqueleto ou apodrecer. A folha muda: ela deixa de ser folha – se apodrece, vira terra e se não, vira esqueleto. Mas ela não some, apenas transforma-se, assumindo outra função dentro da dinâmica da natureza.

Não seria o mesmo com a gente que é gente? A gente simplesmente some da face da Terra ou nosso corpo apenas muda de forma, virando terra, pó ou adubo? Não são os nossos corpos formados por matéria orgânica? Não somos nós um pedaço da Terra? Esquecemos, talvez, que somos biodegradáveis?
Vejo a morte como um nascimento, o qual de dá pelo processo de voltar para a Terra como um corpo que já não vive mais a serviço de um Ego, mas que agora faz parte, de forma indivisível e impessoal, da constituição de um planeta que flutua em um Universo que dizem ser infinito. E não seria isto incrível? Essa fragilidade que nos permite a morte e ainda assim a vida eterna, em uma espiral interminável sem começo e fim visíveis. Perenes ao sermos tão perecíveis. Extraordinários ao sermos tão comuns. Imortais em nossa irrevogável mortalidade.

O belo se torna o deixar-se morrer – e deixar-se pertencer à vida, inclusive na própria morte – porque morrer é um processo de transformação – a ação de entregar-se ao fluxo natural, agora sendo um agente ativo através da passividade – uma transformação que serve não a si próprio, mas a uma ordem maior de acontecimentos que vão além de uma lógica pessoal estreita e individualizada.
Qual o limite que define o que na natureza é vivo e o que não é?

Pra mim, tudo é vivo – e a morte é apenas parte de um ciclo que nunca morre – e nós, seres humanos, somos apenas uma célula desse organismo de tamanho imensurável.

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